Sinais que quer uma relação casual

Dezembro de 97

2020.10.10 06:01 umnickqualquer Dezembro de 97

Mesmo já tendo corrido 20 anos, os detalhes continuam na minha mente: dezembro já estava quase na metade e aquela era a semana de recuperações finais do ano letivo. Eu não ia querer ser reprovado bem quando já estava terminando o 3o ano do 2o grau – era assim que a gente chamava na época – e só precisava daquele diploma pra poder seguir pra faculdade. É claro, isso se eu tivesse sido aprovado. Os resultados dos vestibulares só saiam em janeiro e entre a tensão de terminar a escola e a de finalmente começar História numa federal, eu ia administrando os meus 17 anos.
Pensando agora, enxergo que eu era um moleque bastante comum, mas não era assim que eu me vi na época. Meus CDs dos Racionais, biografia do Malcolm X e camisa dos Panteras Negras (que juntei dinheiro por meses pra comprar) se juntavam ao pequeno black que eu vinha cultivando pra criar algo que naquele tempo era uma mistura confusa de busca por identidade racial e afirmação juvenil. Tenta entender que eu estava entre a descoberta de Spike Lee e a de Frantz Fanon, sendo que o desbravamento de mim mesmo também não estava muito avançado. Esse ainda iria levar um tempo.
Acabada a recuperação, eu esperava na saída do corredor pro pátio olhando pra fora. Enquanto estava em sala de aula, a chuva que tinha ameaçado cair a tarde inteira começara a desabar com força e não parecia estar perto de acabar. De onde estava eu podia ver o temporal alagando tudo entre o pátio e a quadra de esportes perto do portão, enquanto alguns alunos tentavam fazer às pressas o caminho até a rua. Pode ser que eu não quisesse arriscar molhar os cadernos na mochila, ou talvez não quisesse chegar logo em casa pra ser bombardeado de perguntas sobre a prova, mas a questão é que resolvi esperar e enquanto aguardava recostado à parede, notei que o Wesley – que também estava na recuperação – havia chegado e feito o mesmo.
Era alguém interessante, o Wesley. Sua posição na classe me parece ambígua porque se hoje eu só consigo dividir a minha 3a série entre Comportados e Turma do Fundão, ele não era nenhum dos dois. Sem ser necessariamente calado, rebelde ou participativo, conseguiu atravessar aquele ano letivo até o fim, apesar do seu tamanho e aparência indicarem que já tinha sido reprovado uma ou duas vezes. Se ao longo daqueles meses a gente trocou três palavras eu não lembro – enquanto os meus chegados eram quase todos maconheiros fãs de Planet Hemp e headbangers fãs de Sepultura, os dele, por mais que tente me lembrar, eu não tenho certeza. Tanto podiam ser a turma inteira como ninguém, na verdade.
Aquela vigília pelo fim da chuva deve ter me entediado ou talvez eu tivesse me sentido constrangido de ficar apenas em silêncio a poucos metros dele, mas a questão é que, ainda olhando pra porta, falei:
– Parece que a gente vai ficar aqui até amanhã – também sem me encarar, ele disse:
– Por mim não tem problema.
Como não respondi, acho que ficamos em silêncio por mais ou menos um minuto, os únicos sons sendo o temporal caindo e os carros passando pela rua em frente. Sem nenhum aviso, as luzes do corredor e das salas vizinhas se apagaram e uma mistura de murmúrios e gracejos percorreu o prédio da escola enquanto todos davam pela falta de energia elétrica. Agora iluminado apenas pelo cinza embaçado daquela tarde de chuva, o próprio tempo parecia em espera.
– Você já passou na faculdade? – perguntou o Wesley.
– Não sei. Acho que sim, mas tem que esperar sair o resultado ano que vem – respondi, meio desconfortável por ele não ter continuado em silêncio – eu não tinha certeza suficiente pra dizer que achava que sim, mas aquele era sempre o jeito mais rápido de conduzir as conversas sobre vestibular.
- Tomara que o mundo não acabe antes de você se formar, igual todo mundo acha, né? – retrucou ele, com um tom mais leve do que o anterior – e você pode ir pra faculdade com esse cabelo? Eu costumava ser bem sensível a qualquer crítica em relação ao meu black. Tanto porque a maioria delas era escrota quanto porque não era fácil tratar dele e aquela era uma das poucas coisas de que gostava na minha aparência. “Vocês ainda vão ver presidentes com um maior que o meu”, costumava responder. Por algum motivo, no entanto, talvez o modo como a pergunta soou sem nenhuma maldade ou intenção de ofender, eu não me importei e apenas respondi:
- Claro que sim, lá não é o exercito – observando ele fazer um leve sinal de assentimento e sem saber como continuar aquela conversa, perguntei – o que você vai fazer agora?
- Ir pra casa, tirar um descanso e trabalhar de noite, por quê? – respondeu ele, parecendo surpreso que eu perguntasse.
- Não, tô falando agora depois de se formar. O que você vai fazer depois do 2o grau? – corrigi, por algum motivo desconfortável pela interpretação da minha pergunta.
- Ah – falou ele, se demorando como se tivesse que se lembrar de algo bem distante – eu quero arranjar alguma coisa com o diploma. Tentei o exercito ano passado, mas não entrei, fui dispensado. Agora com a escola completa deve dar pra conseguir alguma coisa boa e talvez eu faça curso técnico – completou. “Você também não sabe direito”, eu pensei. Hoje, penso que estranho seria se algum de nós dois naquela época tivéssemos certeza de alguma coisa.
– E por que você tinha certeza que eu tinha sido aprovado na faculdade? – perguntei, incerto sobre como prosseguir a conversa.
– E como não? Você é todo inteligente, todo engajado – respondeu ele, com um sorriso que eu não sabia se era irônico ou parceiro – peão de obra que você não ia virar. Me senti um pouco desconcertado, tanto por não imaginar que esse garoto com quem eu nunca tinha falado antes tinha uma imagem a meu respeito quanto por não estar nem de longe tão certo sobre o meu próprio futuro quanto ele. Pensei em alguma consideração elogiosa pra fazer, mas me toquei de que eu não o conhecia. Na verdade, aquela era a primeira vez em que eu realmente reparava nele. O corpo alto e magro que vestia o uniforme, a pele castanha quase no meu tom e o cabelo aparado rente ao couro cabeludo podiam pertencer a metade dos alunos daquela e de qualquer outra escola estadual do país. Esse foi o primeiro momento em que quis saber alguma coisa sobre o Wesley.
O que respondi a ele eu não me lembro, mas sei que nos sentamos no chão do corredor enquanto a chuva continuava caindo persistente lá fora e os poucos alunos que restavam no prédio saiam pela porta à nossa frente. Nós mais do que falamos, conversamos, e apesar dos detalhes terem sumido da memória, ficaram os temas. A escola que acabava; a família que pressionava; o que estava por vir, fosse o que fosse. Especulamos sobre o que a gente sabia e não sabia e naquele momento só não falei mais porque ainda havia coisas que eu não confessava nem a mim mesmo. Com sua voz um pouco mais juvenil do que seu tamanho sugeria, os pelos no queixo de alguém que se esquece por uns dias de aparar e uns olhos estreitos e reluzentes que devolviam ao mundo um reflexo mais brilhante do que a imagem que receberam – todos os pontos em que eu só reparava naquele momento – o Wesley parecia real, único. Não sei quanto tempo se passou, mas naquela hora só existiam o corredor escuro e aquele garoto pouco mais velho que eu – as preocupações não sei aonde tinham ido, talvez lá fora junto com a chuva.
Ainda estávamos conversando quando verifiquei a mochila pra ter certeza de que não tinha deixado nada em sala e me deparei com a sombrinha velha da minha mãe, que eu devia ter guardado dias atrás e esquecido ali. Surpreso por ter encontrado, falei:
– Olha só e eu esperando aqui – disse em tom casual, mas a verdade era que eu preferia não ter achado e pra esconder essa contrariedade, dele e de mim mesmo, me levantei, ainda que sem vontade de ir embora. Talvez fosse por não ter coragem de encarar o tempo forte bem à minha frente sozinho que ofereci:
– Quer carona? – ao que ele respondeu pegando a mochila e se levantando também.
Saímos para a chuva fria e, talvez por dividirmos uma sombrinha minúscula, estávamos com os braços nos ombros um do outro enquanto corríamos pelo pátio vazio – quem fez o gesto primeiro, não sei dizer. O temporal estava mais forte do que parecia do lado de dentro – Wesley e eu ficamos encharcados, as vistas turvas e nossas camisas ensopadas, grudando tanto na pele quanto uma na outra, enquanto corríamos ombro a ombro. Quando a tempestade finalmente venceu e rompeu as ligações da sombrinha, ficamos perdidos de vez, com a água e o vento vindo como uma surra por todos os lados. Vendo que era impossível tentar chegar ao portão daquele modo, corremos para a quadra de esportes, que era coberta e ficava entre o prédio principal, de onde tínhamos vindo, e saída da frente.
Foi um alivio voltar a ter um teto sobre a cabeça. Assim como o prédio principal, a quadra estava às escuras e sem mais ninguém além de nós. As roupas molhadas pareciam pesar 01 kg e enquanto eu enxugava o rosto com a camisa do uniforme – sem perceber a idiotice de tentar me secar com um pano molhado – Wesley passou os dedos de leve pela ponta do meu cabelo, abaixado pela chuva, e disse, divertido:
– Então é assim que fica quando molha.
Sei que respondi alguma coisa, não lembro o quê, e nós dois rimos. Ele estava tão encharcado quanto eu e apesar do comentário casual, percebi que tremia de frio e tinha a respiração pesada, com o peito subindo e descendo da corrida. Notei que eu também estava assim. Ficamos mais algum tempo em silêncio, enquanto a chuva não dava sinais de passar.
– É, acho que não vai acabar tão cedo. Valeu pela carona, eu vou daqui – disse o Wesley, com gotas d’água ainda escorrendo pelo rosto.
– Falou, boa sorte – respondi. Pensei em dizer “foi bom falar com você, que pena que a gente não se conheceu antes”, mas calei. Eu não sei que sinal o meu corpo transmitia naquele momento, pensei nisso por anos até decidir que não era importante. Quando o Wesley se aproximou de mim antes de sair da quadra, pensei por dois segundos que seria para um abraço de despedida, desejos de sorte na vida e tal, mas quando chegou perto do meu corpo, foram a minha boca que ele procurou.
A partir daí só posso explicar o que houve por sensações. O frio dos lábios dele; o calor bem-vindo do seu hálito, e junto com um sabor que parecia ser pasta de dente, o gosto de chuva como se eu estivesse beijando o próprio temporal. É estranho pensar o quanto tudo foi inesperado e ainda assim sem erros – perfeito. Não teve espaço pra estranhamento ou resistência da minha parte, só uma reciprocidade fortuita que parecia agir por conta própria. O ato era a última coisa que eu podia esperar naquela hora e ainda hoje um dos momentos mais inusitados da minha vida, mas ainda assim naquele minuto foi tão natural, tão correto para aquele eu adolescente, quanto o tempo forte que desaba numa tarde de dezembro.
Quando nossas bocas se afastaram, o Wesley foi até a borda da quadra, olhou pra fora por um segundo e então correu, desaparecendo na chuva. Só o que pensei naquele momento foi que devia ter dito tchau – talvez porque a gente não diga adeus quando tem 17 anos. Continuei onde estava e o fato de agora estar sozinho me pareceu o mais estranho do mundo. Eu não sei quanto tempo fiquei esperando estiar, mas quando isso aconteceu, saí rápido em direção ao portão como ele tinha feito. Mesmo caindo com menos intensidade, o temporal então me parecia pior, mais frio e impiedoso. Tudo o mais naquele fim de tarde hoje me parecem só flashes: o ponto lotado, o ônibus pra casa, chegar no quarto e por a mochila no chão. Não vi sinal do Wesley enquanto percorria aquele caminho e é óbvio que nunca soube dele desde então. Do mesmo jeito que não sabia antes daquele dia.
Talvez não fosse uma lembrança tão viva ainda hoje se não fossem os tempos de chuva desses 20 anos pra cá. Mesmo que eu esteja resguardado em casa vendo o temporal pela janela, sinto o sabor gelado nos lábios e a água escorrendo pelo queixo como se estivesse do lado de fora, desprotegido, feito um menino que se põe debaixo da tempestade com a boca aberta brincando de provar o gosto do céu – de juventude, de conversar sem pressa num corredor escuro enquanto o mundo espera lá fora.
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2020.07.08 14:56 xDark0x Levei um fora da minha ex que ainda amo

Olá! Então, é minha primeira vez aqui escrevendo, e estou um pouco nervosa pois nunca fiz isso antes, tenho dificuldades em falar sobre o que sinto e tal, mas chegou à um ponto em que realmente preciso desabafar. Vou explicar tudo com datas pra ficar mais fácil. Ultimamente venho passado por uma série de eventos os quais me deixaram muito mal. Tenho uma ex namorada, a primeira e única com quem me comprometi até hoje (tenho 18 anos), em março de 2018 conheci ela através de uma amiga e desde então nos demos muito bem. Desde que a conheci já despertou um interesse e sentimento em mim. Tínhamos várias coisas em comum, gostos musicais, forma de ver o mundo e afins. Logo nos tornamos muito próximas, confiavamos tudo uma na outra e após uma jogada de charme aqui, umas coisinhas românticas ali (kkk) Consegui conquista-la. Isso em junho. Namoramos por 6 meses, muito felizes, mas devido uma interferência da família dela, que ficou sabendo de nós duas por intermédio de uma professora do colégio que conhece a mãe dela, (fdp fofoqueira) tivemos que nos separar. A mãe dela me contatou e com base em ameaças de contar à minha família, me fez confessar nosso relacionamento. Depois que o sangue esfriou e fiquei "mais calma", me senti muito mal, pois senti que à traí, me senti mal por acreditar na mãe dela (que considerando a pessoa que é não merece confiança) que disse não fazer nada com ela se eu falasse tudo. Paramos de nos falar, e como já era dezembro, estavamos de férias e não nos víamos (só tínhamos oportunidade de nos ver na escola). Só no ano seguinte, no primeiro dia de aula consegui contata-la e descobri da forma mais dolorosa possível que não sentia mais nada por mim e me odiava pelo que fiz. Me senti péssima, por ainda à amar e pela situação em si, que não saía da minha cabeça. Tivemos só essa conversa e depois nos distanciamos novamente (por escolha dela). Lá pra junho do ano passado, ela começou a dar sinais de querer voltar a falar comigo, depois de longas conversas sobre esse assunto, finalmente nos entendemos, mas não totalmente da forma como gostaria. Ela disse novamente não me amar mais. Foi doloroso, mesmo já tendo ouvido-a dizer antes. Ela estava passando por momentos terríveis com a família. Não é uma pessoa tão fácil de lidar (a criação ajudou um pouco nisso), então falar com ela naquela época foi bem complicado. Queria ajudá-la mas ela não permitia que eu o fizesse. Arduamente fui conquistando a confiança dela, até que desabafava comigo e eu tentava ajudar da forma como podia. Aos poucos ela foi melhorando e fomos resgatando a amizade e por ainda nutrir sentimentos românticos por ela, as vezes dava umas cantadinhas bobas, mas as vezes sérias também (Claro que não no momento que ela estava fragilizada, mas sim nos de descontração, para deixar bem claro). Em setembro nos aproximamos mais e finalmente consegui com que ela demonstrasse gostar de mim da mesma forma que eu dela. Pouco tempo depois a família novamente descobriu a gente, da mesma forma que da outra vez, mas dessa, eu estava de certa forma mais forte. Bom, consegui conversar com a mãe dela sem demonstrar medo pelo menos. Chegamos à conclusão de que realmente não dava pra ficarmos próximas na escola. e em meio à isso tudo, pedi ela em namoro pela segunda vez. Dessa, não mantinhamos o contato de antes, muito raramente ficávamos juntas, já que ela era de outra turma. mas passando o tempo começamos à relaxar um pouquinho e passar ainda mais tempo juntas, sempre que podíamos, porém com mais cautela. Dessa vez, durou 2 meses e meio, de outubro à metade de janeiro. Ela terminou comigo de novo, não por deixar de sentir, mas eu estava passando por questões pessoais (que até hoje estou lidando, e que me incomoda bastante falar). Como ela além de namorada era minha melhor amiga, falei com ela por mensagem sobre o assunto, e depois de conversar, de um dia inteiro completamente estranho e nós indiferentes, eu por me sentir mal por estar daquele jeito, ela acredito que por não estar acreditando e por lamentar a situação, no fim do dia ela terminou tudo. Foi terrível pra mim, confesso que fiquei com raiva de certa forma, pois queria ela do meu lado para enfrentar aquilo, eu estava apavorada sem saber o que se passava direito na minha cabeça. Mas no fundo, por trás de tanto sentimento ruim, entendia que era direito dela. Era total direito dela decidir onde ficar e até onde pode aguentar também, nunca foi uma relação fácil, e não posso exigir de alguém o que eu faria dentro da relação sendo que somos pessoas diferentes. Ainda mantinhamos contato, mas de forma meio estranha, até que ela começou a demorar muito para responder e por fim, sumir por dois meses. No aniversário dela em maio, fiz um pdf com várias mensagens e desenhos (felizmente sou boa com desenhos) e mandei para o email dela, isso sem muita pretenção, apenas como forma de carinho. Depois de 7 dias me respondeu pedindo desculpas por não ter visto já que não olhava o email (algo totalmente válido pois também não olho hehe) e dizendo que se eu quisesse voltar a manter contato que gostaria. Voltamos a nos falar por outra rede, diferente da que nos falávamos antes, e foi tudo muito bem, ainda demorava para responder, mas não posso cobrar já que deve ter as ocupações dela, assim como tenho as minhas. Embora sempre dê aquele desapontamento e dúvida sobre ser "importante" ou não kkk. E à partir de agora voltamos ao que está acontecendo atualmente. (Estou resumindo o máximo que posso pra não ficar maior do que já está.) Há umas três semanas, em uma conversa casual ela perguntou brincando se eu ainda sentia o mesmo por ela, e eu muito envergonhada disse que sim. No outro dia, acordo com um texto dela (ela gosta muito de escrever) falando sobre amor, sobre estar apaixonada por alguém que sempre atrai ela de volta e por isso quer manter em segredo. Automaticamente me animei e fiquei profundamente feliz, "ela ainda me ama!" Pensei. E dessa vez sem eu mesma ter que correr atrás. Escrevi algo respondendo à ela e mandei uma letra de música que gostava muito pra que ela ouvisse. Ela disse que escreveu aquilo aleatoriamente, mas sabe quando você vê que a verdade não é aquilo que a pessoa diz? Enfim. Foram assim as últimas três semanas, com textos românticos que se encaixam perfeitamente na nossa história, respostas minhas, e mais textos que também mandava pra ela. Ela sempre respondia dizendo que ficaram muito bonitas as coisas que escrevi, e era o mesmo que eu dizia para os dela, obviamente direcionados para uma pessoa, mas que por conta da primeira fala dela de querer "manter em segredo" eu não entrava em detalhes, embora estivesse crente de que eram para mim. Textinho vai textinho vem, perguntei se o que ela escrevia era para alguém (Isso já confiante de mim, mas queria que "confessasse") depois de enrolar um pouco para falar, acabou dizendo e era o nome de outra garota :) Fiquei sem entender nada, não sabia como reagir. Me senti uma idiota por ter imaginado que era pra mim e ao mesmo não entendia como aquilo encaixava tanto em nós e em outra situação. Não conheço a menina, mas aparentemente não à corresponde, enfim. Me senti tão mal, principalmente por ter pensado que as coisas eram pra mim e ter descoberto de uma forma tão brusca. Fui conversar com ela para tentar esclarecer tudo e foi até bem rude ao responder. Disse que não via mais futuro em nós e não queria mais a confusão que era "estar comigo". Isso aconteceu ontem, e até agora não sai da minha cabeça. Dormi pensando nisso da mesma forma que acordei hoje e foi a primeira coisa que veio à cabeça. Não é a primeira vez que acontece situações que me deixam assim, em relação à ela. As vezes parece que estamos em um looping infinito sabe? Pois sempre passamos pelos mesmos momentos, desde os complicados, aos de investidas minhas e a "volta do amor" dela, que é algo que me deixa com muitas dúvidas por dentro, pois poxa, que amor é esse que eu preciso ir atrás? E sinceramente, isso me deixa com tantos questionamentos e angústias, eu realmente à amo, e me sinto uma idiota por isso. Eu odeio me sentir dessa forma sabe? As vezes odeio ser dessa forma. Me sinto idiota por ser tão intensa em ralação aos sentimentos, principalmente numa época em que isso é pouco levado em conta por muita gente. Ocorre um misto de emoções, angústia, tristeza... Por tudo que já aconteceu e pelo que estou sentindo agora. Tenho dúvidas reais sobre nosso fututo, não sei o que pode acontecer conosco, se podemos ficar juntas, ou se realmente estamos fadadas à seguir caminhos diferentes; e isso é uma das coisas que mais me apavora, não saber o que irá acontecer, se esse sentimento por ela vale realmente a pena ou estou apenas perdendo tempo em minha vida, numa coisa que não terá fundamento. Me sinto afogada nesse misto de sensações, sentimentos de amor e tristeza que não sei como fazer passar.
Não sei se alguém vai ler até o final porque realmente ficou enorme kkk, mas de qualquer forma já vale o desabafo. Não tenho ninguém para falar sobre isso
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2019.03.03 16:14 DocStrang3l0ve Uma introdução ao FAQ Anarquista

Uma introdução ao FAQ Anarquista
INTRODUÇÃO
"Proletários do mundo, olhem para as profundezas de seus próprios seres, busquem a verdade e descubram-na por sua própria conta: vocês não irão encontrá-la em nenhum outro lugar" - Peter Arshinov, The History of the Makhnovist Movement
Este FAQ foi escrito por anarquistas do mundo inteiro em uma tentativa de apresentar a teoria e as ideias anarquistas para aqueles interessados nelas. Ele é um esforço co-operativo, produzido por um grupo de trabalho (virtual) e existe para apresentar uma ferramenta de organização útil para anarquistas on-line e, esperamos que, no mundo real também. Desejamos apresentar argumentos sobre por quê você deveria ser um anarquista, assim como refutar argumentos frequentes contra o anarquismo e outras soluçõe propostas para os problemas sociais que enfrentamos.
Como ideias anarquistas parecem tão em desacordo com o "senso comum" (como "mas é claro que precisamos do Estado e do Capitalismo") nós precisamos apontar porque anarquistas pensam como nós pensamos. Ao contrário de muitas teorias políticas, o anarquismo rejeita respostas petulantes e ao invés disso beseia suas ideias e ideais em uma análise profunda da sociedade e da humanidade. Para podermos fazer justiça tanto ao anarquismo quanto ao leitor nós resumimos nossos argumentos o máximo que foi possível sem simplificá-los. Nós sabemos que este é um documento longo e pode desanimar o leitor casual mas sua extenção é inevitável.
Leitores podem considerar nosso extensivo uso de citações como "uma coisa útil de se ter, poupando a pessoa do problema de pensar por conta própria." (A. A. Milne) Este, é claro, não é o caso. Nós incluímos extensas citações de diversas figuras anarquistas por três razões. Em primeiro lugar, para indicar que NÃO estamos inventando nossas afirmações sobre o que certos anarquistas pensavam ou defendiam. Em segundo lugar, e mais importante, isso nos permite ligar as vozes passadas do anarquismo com seus partidários contemporâneos. E por último, as citações são usadas por suas habilidades em transmitir ideias de maneira sucinta, e não como um apelo à "autoridade."
Além disso, muitas citações são usadas para permitir que os leitores investiguem as ideias das mesmas e resumam os fatos, portanto economizando espaço. Por exemplo, uma citação de Noam Chomsky sobre o desnvolvimento do capitalismo pela proteção estatal assegura que nós fundamentemos nossos argumentos em fatos sem necessáriamente termos que apresentar todas as evidências e referências que Chomsky utiliza. Similarmente, nós citamos especialistas em determinados assuntos (como economia, por exemplo) para suportar e reforçar nossas análises e afirmações.
Nós devemos também contar a história deste FAQ. Ele começou em 1995, quando um grupo de anarquistas se reuniu para escrever um FAQ refutando afirmações sobre certos "libertários" capitalistas serem anarquistas. Aqueles que estavam envolvidos no projeto já haviam gastados muitas horas on-line refutando afirmações dessas pessoas de que capitalismo e anarquismo poderiam caminhar juntos. Finalmente, um grupo de ativistas virtuais decidiu que o melhor a fazer seria a produção de um FAQ explicando o porquê do anarquismo odiar o capitalismo e o porquê de os "anarco" capitalistas não serem anarquistas. No entanto, após a sugestão de Mike Huben (que mantém a página "Critiques of Libertarianism"), foi decidido que um FAQ pró-Anarquista seria uma ideia melhor que um anti-"anarco"-capitalista. Então o FAQ Anarquista nasceu. Ele ainda carrega alguns sinais de sua história pregressa. Por exemplo, ele ainda reserva para indivíduos como Ayn Rand, Murray Rothbard, e outros, um espaço considerável fora da seção F -- eles não são tão importantes assim. No entando, como eles apresentam exemplos extremos das hipóteses e da ideologia capitalista cotidiana, eles têm seu uso -- eles expoem claramente as implicações autoritárias da ideologia capitalista cujos apoiadores mais moderados tentam esconder ou minimizar.
Nós acredimos que tenhamos produzido um útil recurso on-line para anarquistas e outros anti-capitalistas utilizarem. Talvez, à luz dos acontecimentos, devamos dedicar este FAQ anarquista aos muitos capitalistas "libertários" on-line que, com seus argumentos fúteis, nos incentivaram a iniciar este trabalho. Mais uma vez, isso daria a eles muito crédito. Fora da rede eles são irrelevantes e na rede eles são somente irritantes. Como você pode imaginar, as seções F e G contêm a estrutura do FAQ anti-Libertário inicial e estão incluídos puramente para refutar a afirmação relativamente comum na internet de que um anarquista pode ser um simpatizante do capitalismo (no mundo real isso não seria necessário, já que quase todos os anarquistas veem o "anarco"-capitalismo como uma contradição e que seus partidários não são parte do movimento anarquista).
Então, embora tenha surgido por uma razão muito específica, o FAQ se expandiu até se tornar algo muito maior do que nós originalmente imaginamos. Ele se tornou uma introdução geral sobre o anarquismo, suas ideias e sua história. Pelo fato do anarquismo reconhecer que não existem respostas fáceis e que a liberdade deve ser baseada na responsabilidade individual, o FAQ é bastante profundo. Enquanto ele também desafia muitas suposições, nós tivemos que cobrir um vasto terreno. Nós também admitimos que algumas das "perguntas frequentemente feitas" que incluímos são perguntadas com mais frequencia que outras. Isso se deve à necessidade de incluir argumentos relevantes e fatos que de outra maneira talvez não tivessem sido incluídos.
Temos certeza que muitos anarquistas não irão concordar com 100% do que nós escrevemos neste FAQ. Isso é esperado em um movimento baseado na liberdade individual e no pensamento crítico. No entanto, temos certeza que a maioria dos anarquistas irão concordar com a maior parte do que apresentamos e respeitar aquelas partes com as quais eles discordam como expressões genuínas de ideias e ideais anarquistas. O movimento anarquista é marcado pela divergência generalizada e discussões sobre vários aspectos das ideias anarquistas e como aplicá-las (mas também, devemos adicionar, uma tolerância generalizada de diferentes pontos de vista e uma boa vontade para trabalharem juntos apesar de discordâncias menores). Nós tentamos refletir isso nesse FAQ e esperamos ter feito um bom trabalho em apresentar as ideias de todas as tendências anarquistas que discutirmos.
Não temos o desejo de cravarmos na rocha o anarquismo é e não é. Ao invés disso, o FAQ é um ponto de início para as pessoas lerem e aprenderem por conta própria sobre anarquismo e traduzirem esse aprendizado em ação direta e atividade. Fazendo isso, nós transformamos o anarquismo em uma teoria viva, um produto da atividade individual e social. Somente pondo nossas ideias em prática nós podemos encontrar as qualidades e as limitações e então desenvolver a teoria anarquista em novas direções e à luz de novas experiências. Nós esperamos que o FAQ reflita e auxilie este processo de auto-atividade e auto-educação.
Temos certeza que existem vários assusntos dos quais este FAQ não trata. Se você achar que nós podemos adicionar alguma coisa ou sente que existe uma pergunta e uma resposta que deveriam ser incluídas, entre em contato conosco. O FAQ não nossa "propriedade" e sim pertence a todo o movimento anarquista e portanto pretende ser uma criação viva e orgânica. Nós desejamos ver ele crescer e se expandir com novas ideias e contribuições do maior número de pessoas possível. Se você quiser se envolver com este FAQ então contate-nos. Igualmente, se outros (particularmente anarquistas) quiserem distribuir parte ou todo o material, sintam-se livres para fazê-lo. Ele é um material para o movimento. Por esta razão nós "copyleftizamos" Um FAQ Anarquista (veja http://www.gnu.org/copyleft/copyleft.html para mais detalhes). Desta maneira, nós asseguramos que o FAQ permaneça um produto livre e gratuito, disponível para o uso de todos.
Um último ponto. A linguagem mudou muito com o passar dos anos e isso se aplica aos pensadores anarquistas também. O uso do termo "homem" para se referir à humanidade é um que mudou. Não é necessário dizer que no mundo contemporâneo tal uso é inaproopriado pois efetivamente ignora metade da raça humana. Por esta razão o FAQ tentou adotar a netralidade de gênero*. No entanto, essa consciência é relativamente recente e muitos anarquistas (até mesmo mulheres, como Emma Goldman) utilizaram o termo "homem" para se referir à humanidade como um todo. Quando estivermos citando camaradas passados que usam "homem" desta forma, óbviamente se referirá à humanidade como um todo e não sómente ao sexo masculino. Onde for possível, iremos adicionar "mulher", "mulheres", "sua" e assim por diante mas se isso tornar a sitação ilegível, iremos deixá-la inalterada. Esperamos que isso deixe nossa posição clara.
Então, esperamos que este FAQ entretenha vocês e faça vocês pensarem. Com sorte ele irá produzir alguns anarquistas mais e acelerar a criação de uma sociedade anarquista. Se tudo mais falhar, nós aproveitamos a criação desse FAQ e mostramos que o anarquismo é uma ideia política viável e coerente.
Nós dedicamos este trabalho aos milhões de anarquistas, vivos ou mortos, que tentaram e estão tentando criar um mundo melhor. Um FAQ Anarquista foi oficialmente lançado em 19 de Julho de 1996 por esta razão -- para celebrar a Revolução Espanhola de 1936 e o heroísmo do movimento anarquista espanhol. Esperamos que nosso trabalho aqui ajude a fazer do mundo um lugar mais livre.
Os seguintes auto-proclamados anarquistas são os (principais) responsáveis por este FAQ:
Iain McKay (principal contribuidor e editor)
Gary Elkin
Dave Neal
Ed Boraas
Nós gostaríamos de agradecer as seguintes pessoas por suas contribuições e pelo feedback:
Andrew Flood
Mike Ballard
Francois Coquet
Jamal Hannah
Mike Huben
Greg Alt
Chuck Munson
Pauline McCormack
Nestor McNab
Kevin Carson
Shawn Wilbur
Nicholas Evans
E nossos camaradas na anarquia, reúnam-se e organizem-se!
"Um FAQ Anarquista", Versão 15.1 Copyright (C) 1995-2018 The Anarchist FAQ Editorial Collective: Iain McKay, Gary Elkin, Dave Neal, Ed Boraas
Permissão garantida para copiar, distribuir e/ou modificar este documento sob os termos da GNU Free Documentation License, Versão 1.1 ou qualquer versão posterior publicada pela Free Software Foundation, e/ou termos da GNU General Public License, Versão 2.0 ou qualquer versão superior publicada pela Free Software Foundation.
Veja as páginas das licensas em http://www.gnu.org/ para mais detalhes.
*Não tenho muita experiência em como deixar o texto com uma neutralidade de gênero. Portanto, quem quer que esteja lendo este documento, sinta-se livre para apontar e melhorar o que pode ser melhorado (em relação à tradução de um modo geral também).
Créditos pela tradução:
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